"Homens da Galiléia, porque ficais aí a olhar para o céu? Esse Jesus que vos acaba de ser arrebatado para o céu voltará do mesmo modo que o vistes subir para o céu. (At 1,11) "

A SAGRADA TRADIÇÃO


ENTENDENDO A TRADIÇÃO CATÓLICA

Isso é tradicional! Isto é uma tradição!
Não raramente se ouve um comentário deste tipo, que por algum motivo se refere a algo que fora transmitido de geração a geração.


Muitas pessoas possuem, enraizados em sua vida, conhecimentos e hábitos, provenientes das tradições, sejam elas familiares, regionais ou tantas outras advindas das experiências e vivências humanas. Se acreditamos que aquela dança folclórica, conhecida atualmente e desenvolvida a séculos, chegou até nós transpassando gerações, por que, às vezes, somos veementes em não crer na Sagrada Tradição?

A Sagrada Tradição da Igreja Católica teve início em Jesus Cristo quando Ele mesmo a fundou confiando aos Apóstolos, e estes aos seus sucessores, a transmissão de tudo aquilo que foi deixado pelo próprio Jesus Cristo, chegando até nos por meio daqueles que vieram após os Apóstolos, ou seja, os Bispos.

Temos um claro exemplo disso quando Paulo, Apóstolo de Cristo, mesmo estando em uma prisão em Roma, por volta do ano 67, prestes a ser executado, escreveu a Segunda Carta a seu discípulo e colaborador Timóteo, onde no 1º Capitulo, versículos 13 e 14 diz: "Tome por modelo as sãs palavras que você ouviu de mim, com a fé e o amor que estão em Jesus Cristo. Guarde o bom depósito com o auxilio do Espírito Santo que habita em nós". E no 2º Capitulo, versículo 2 , profere: "O que você ouviu de mim na presença de muitas testemunhas, transmita-o a homens de confiança que, por sua vez, estejam em grau de ensiná-lo a outros".

Assim, as doutrinas pregadas por Jesus foram preservadas pela Sagrada Tradição, que não deve ser questionada antes de ser conhecida e estudada a fundo; bem como se faz necessário, não confundi-la com a tradição humana. A Divina e Sagrada Tradição é parte do caminho que nos conduz à Salvação.

Henrique Meneses

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Os protestantes são enfáticos em afirmar que somente a Bíblia é bastante para nortear a fé do homem. Alegam que o Espírito Santo dá a cada um o dom de interpretá-la. Esquecem eles que cada uma das mais de trinta mil doutrinas hoje existentes, distintas entre si, são resultado da inconseqüente iniciativa de cada um de seus fundadores em atribuir para si o poder de interpretar plenamente as Sagradas Escrituras. Mas como é possível que o Espírito Santo possa fazer com que se interprete um mesmo texto de diversas formas? E, diante de tantas interpretações diferentes, qual deve ser seguida?

Eis que tendo formulada toda uma linha doutrinária, cada fundador busca expô-la através de não poucos escritos, para, assim, fazer expandir sua mais nova igreja, pregando toda a "verdade que só ela contém". Os seguidores dessa doutrina, os seus pastores e líderes de comunidades afiliadas recorrem a tais escritos e os tem como guia para caminhar de acordo com a linha teológica que define as verdades a serem pregadas. Ora, é tão óbvio deduzir-se que em tal situação se consuma o uso de uma tradição seguida com base nos ensinamentos desses homens, e por conseqüência, busca-se absorver os ensinamentos da Bíblia guiados por exposições contidas fora dela.

Partindo desse fato, temos duas afirmações, das quais apenas uma pode ser dada como verdadeira: Ou os protestantes mantêm submissão aos ensinos doutrinários destes fundadores, o que caracteriza manter sua tradição; Ou desviam-se dos ensinos destes homens ao longo da história e culminam na infeliz conclusão de que tais ensinamentos não eram verdadeiros, portanto, sem razão de terem acontecido.

Sendo a última opção o desmoronamento dessa doutrina, nos detenhamos à primeira hipótese: Pois, se os seguidores dessa denominação religiosa mantêm tais ensinamentos doutrinários e os tem como esclarecedores e assistentes na interpretação da Bíblia mas que foram formulados muitos séculos após o início do Cristianismo, por que não haveremos de reconhecer os escritos daqueles que estiveram com o próprio Jesus, presenciando os milagres, caminhando com Ele em sua missão? Se os escritos de Lutero, Calvino, Jhon Knox e demais cisores são estudados e levados em consideração na manutenção das doutrinas de suas correspondentes denominações religiosas dos dias de hoje, por que se reluta em afirmar que apenas os católicos seguem ensinamentos não explícitos na Bíblia?

De fato, nenhuma doutrina sobrevive sem sua tradição. É este conceito de tradição que aplicamos à Sagrada Tradição dos ensinamentos dos Apóstolos e seus sucessores, que não estão consignados diretamente na Bíblia, mas que nós, católicos, reconhecemos como dignos de fé, pois se é inevitável que se deva seguir alguma tradição, com certeza esta deve ser a Sagrada Tradição daqueles que receberam do próprio Jesus a missão de perpetuar o "Depósito da Fé" e a cumprem em todos os tempos. Eles foram incumbidos por Jesus para expandir toda a Revelação Divina e demais ensinamentos advindos por sugestão do Espírito Santo a todas as gerações ao longo da História.

Diante deste horizonte, há aqueles que insistem em supor que esta sã Tradição possa ter sido corrompida no tempo. Isto seria mais uma inconseqüente suposição, pois se estaria afirmando que Cristo foi incapaz de cumprir sua promessa de que estaria com sua Igreja até a consumação dos tempos.


Claudiomar Filho
www.evangelizadores.com.br/artigos




(Visitas: 4014 | Impressões: 29 | Envios: 3)